quinta-feira, dezembro 23, 2004

Suede: Sci-Fi Lullabies (1997)



Desta vez, vou recordar um álbum que é completamente diferente dos que foram analisados até aqui.
Sci-Fi Lullabies é um álbum duplo, de lados B dos singles lançados na carreira dos Suede, desde o primeiro e homónimo álbum, até Coming Up.
Nessa fase os Suede mudaram de guitarrista e a partir de Head Music, mudaram também a sua sonoridade.
Digo desde já que os Suede são das minhas bandas favoritas, daquelas que primeiro se estranham e depois se entranham.
Escolhi analisar Sci-Fi Lullabies porque foi a confirmação. Depois de três grandes álbuns, este "B-sides", demostrou a genialidade desta banda inglesa, do movimento apelidado de "Brit-Pop".
Genialidade essa, que se veio a desvanecer nos dois últimos dois discos da banda que, sem serem maus, não eram mais que razoáveis.
Ora, Sci-Fi Lullabies é fantástico. É incrível como é que a maioria dos temas pôde ser afastada de álbuns. Sci-Fi Lullabies vale por si como um álbum, e para além do mais, pode-se acrescentar à qualidade, a quantidade!
Desde o mais puro pop "à la Suede", às baladas a que também nos habituaram, com a mesma densidade de "nevoeiro" de sempre.
Quem conhece Suede compreenderá.
Os temas das letras são os mesmos do costume, mulheres, droga, cidade e relações pessoais. O vocabulário é o de sempre de Suede, admita-se as letras são o ponto fraco de Brett Anderson, mas a forma como as canta e a música que as envolve faz esquecer o resto.
Temos músicas lindas de morrer como "Where the Pigs Don't Fly", "Another No One", "These Are the Sad Songs" e "Bentswood Boys" e a força mais pop/rock de "Every Monday Morning Comes", "This Time" ou "Have You Ever Been This Low?".
Como disse antes, talvez seja um pouco difícil entrar no mundo Suede, mas depois de este nos agarrar nunca o iremos largar.
Coming Up e Sci-Fi Lullabies, serão os melhores cartões de visita para este grupo, mas o que dará mais "trabalho" a ouvir é Dog Man Star, quem tiver esse "trabalho", sairá recompensado.

Score: 9.0/10

Lista de sons:
CD 1:
1.My Insatiable One
2.To the Birds
3.Where the Pigs Don't Fly
4.He's Dead
5.Big Time
6.High Rising
7.Living Dead
8.My Dark Star
9.Killing of a Flash Boy
10.Whipsnade
11.Modern Boys
12.Together
13.Bentswood Boys
14.Europe Is Our Playground

CD 2:
1.Every Monday Morning Comes
2.Have You Ever Been This Low?
3.Another No One
4.Young Men
5.Sound of the Streets
6.Money
7.W.S.D.
8.This Time
9.Jumble Sale Mums
10.These Are the Sad Songs
11.Sadie
12.Graffiti Women
13.Duchess

segunda-feira, novembro 29, 2004

Nirvana: With the Lights Out (2004)



Finalmente a prometida e muitas vezes adiada caixa dos Nirvana.
Este álbum acabado de chegar ao mercado, poderia-se considerar fresquinho se não tivesse sido retirado de umas prateleiras cheias de mofo e teias de aranha.
O conjunto de 3 CDs e um DVD, consistem em "raridades", demos, temas ao vivo, lados B, ensaios, enfim aquilo que a imaginação quiser permitir.
Antes de começar a crítica propriamente dita, queria dizer que vou tentar não ser precipitado na análise, pois o primeiro impacto com o álbum é feita de contrastes.
Queria ainda frisar que não vou, pelo menos de momento, falar sobre o DVD, pois ainda não o vi, ou seja, a crítica é exclusiva à parte audio desta colecção.
Voltando um pouco atrás, poderão perguntar-me porque é que falei de precipitação e contrastes.
Passo a explicar.
Esta é uma colecção de temas históricos, a grande maioria deles inéditos, apesar de outros já terem visto a luz do dia através de diversos bootlegs. A sensação que se tem é que muitos desses temas não deviam ter saído de onde vieram!
Os temas ao vivo mal se podem descrever, a qualidade sonora é péssima!
O que estariam os "srs" da Geffen a pensar quando os colocaram nesta caixa?? Ups... já sei... (€)
O que esses senhores deviam pensar é que não se pode pôr em cheque uma banda como os Nirvana só por causa de uns (valentes, eu compreendo) trocos.
Posso concluir, que após a audição dos 3 CD, que pela qualidade dos temas incluídos, talvez apenas fosse possível construír um, digno do nome Nirvana.
Só para se ter uma ideia, a grande maioria dos temas com melhor qualidade sonora são demos!!!
O tema Polly, depois de aparecer em todos os álbuns de estúdio, excepto em In Utero, volta a aparecer por mais duas vezes!!! Porquê?? Já agora podiam ter colocado todas as versões conhecidas e tocadas ao vivo!
Smells Like Teen Spirit também tem duas aparições, sendo que uma delas é practicamente igual à original!
O mesmo posso dizer de outras músicas, mas são tantos os exemplos, que é desnecessário e uma perda de tempo estar aqui a referí-los um a um.
Mal dos males, os temas que têm melhor qualidade que, como já disse, são demos, são muito semelhantes aos apresentados posteriormente em álbuns!
Mas então vale a pena ou não comprar esta "caixinha"?
Sim e não.... para um fanático é capaz de ser indispensável, para públicos mais exigentes é capaz de ser um desperdício de dinheiro.
Verdade seja dita, existem algumas verdadeiras pérolas mas ao mesmo tempo tanto lixo...
Foi uma oportunidade perdida para deixar algo de grande, mas estou convicto que isto não foi o último suspiro dos Nirvana, e por entre muito lixo que venha a surgir, pode ser que venha a última obra-prima.
Pelo que ouvi dizer, a qualidade vídeo do DVD é semelhante à componente áudio, ou seja, má. Parece que também não está isento de problemas sonoros. À pontuação que se segue, decidi reservar 2 valores para o DVD, que irão descontar ou incrementar à pontuação que atribuí aos CDs.

Score: 5.4/10

Lista de sons:
CD 1:
1.Heartbreaker (live, 1987)
2.Anorexorcist (radio performance, 1987)
3.White Lace and Strange (radio performance, 1987)
4.Help Me I'm Hungry (radio performance, 1987)
5.Mrs. Butterworth (rehearsal, 1988)
6.If You Must (demo, 1988)
7.Pen Cap Chew (demo, 1988)
8.Downer (live, 1988)
9.Floyd the Barber (live, 1988)
10.Raunchola/ Moby Dick (live, 1988)
11.Beans (home demo)
12.Don't Want It All (home demo)
13.Clean Up Before She Comes (home demo)
14.Polly (home demo)
15.About a Girl (home demo)
16.Blandest (demo, 1988)
17.Dive (demo, 1988)
18.They Hung Him on a Cross (demo, 1989)
19.Grey Goose (demo, 1989)
20.Ain't It a Shame (demo, 1989)
21.Token Eastern Song (demo, 1989)
22.Even in His Youth (demo, 1989)
23.Polly (demo, 1989)

CD 2:
1.Opinion (solo acoustic, 1990)
2.Lithium (solo acoustic, 1990)
3.Been a Son (solo acoustic, 1990)
4.Sliver (home demo, 1989)
5.Where Did You Sleep Last Night" (home demo, 1989)
6.Pay to Play (demo, 1990)
7.Here She Comes Now (demo, 1990)
8.Drain You (demo, 1990)
9.Aneurysm (demo, 1990)
10.Smells Like Teen Spirit (demo, 1991)
11.Breed (rough mix, 1991)
12.Verse Chorus Verse (outtake, 1991)
13.Old Age (outtake, 1991)
14.Endless, Nameless (radio session, 1991)
15.Dumb (radio session, 1991)
16.D-7 (radio session, 1990)
17.Oh, the Guilt (B-Side, 1992)
18.Curmudgeon (B-Side, 1992)
19.Return of the Rat (B-Side, 1992)
20.Smells Like Teen Spirit (Butch Vig mix, 1991)

CD 3:
1.Rape Me (solo acoustic, 1992)
2.Rape Me (demo, 1992)
3.Scentless Apprentice (demo, 1992)
4.Heart Shaped Box (demo, 1993)
5.I Hate Myself and Want to Die (compilation track, 1993)
6.Milk It (demo, 1993)
7.Moist Vagina (demo, 1993)
8.Gallons of Rubbing Alcohol Flow Through the Strip (B-Side, 1993)
9.The Other Improv (demo, 1993)
10.Serve the Servants (solo acoustic, 1993)
11.Very Ape (solo acoustic, 1993)
12.Pennyroyal Tea (solo acoustic, 1993)
13.Marigold (B-Side, 1993)
14.Sappy (a.k.a. Verse Chorus Verse) (previously unreleased, 1993)
15.Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam (demo, 1994)
16.Do Re Mi (solo acoustic, 1994)
17.You Know You're Right (solo acoustic, 1994)
18.All Apologies (solo acoustic)

quinta-feira, novembro 25, 2004

Soundgarden: Superunknown (1994)



Não ia poder prosseguir muito o blog sem falar desta obra-prima.
Tal como Vs. dos Pearl Jam, com quem eu iniciei a escrita, este foi um álbum que me marcou a juventude. Como já falei, era um puto pouco virado para a música, tendo o segundo álbum dos Pearl Jam aberto os meus horizontes.
O passo seguinte foi dado com este Superunknown.
Mais uma vez, um videoclip engraçado de Blackhole Sun suscitou-me a curiosidade, para além disso, Spoonman também já me tinha passado pelos ouvidos. Então decidi-me e comprei este CD.
Confesso que hoje em dia já não suporto muito ouvir Black Hole Sun, mas muito frequentemente este CD entra na minha "Jukebox".
Um primeiro ponto que poderia jogar contra, é o facto de ser muito longo. Mas não!
Talvez seja esse o seu principal trunfo. A qualidade é muitíssimo constante (e muito elevada!) do princípio ao fim, tendo, na minha opinião apenas um ponto baixo: a oriental Half.
É diferente do resto do álbum, compreendo que seja uma experiência, mas não se enquadra com o resto dos temas.
Mas com tantos pontos altos, quem se vai lembrar do "baixo"?
Sinceramente, vou tentar não mencionar nenhum tema em especial pois estaria a ser injusto com os restantes.
O psicadelismo de alguns temas, o peso de outros, a brutalidade, a rapidez.
Temos baladas épicas que não podem ser consideradas baladas, temas quase doom, mas que não o são, temas punk com classe.
A voz de Chris Cornell é impressionante. Perdoem-me a expressão, mas o gajo tem cá uns pulmões...
Todo o trabalho do grupo é genial, desde Matt Cameron, Kim Thayil e Ben Shepherd.
Mais uma vez, mantém-se actualíssima a sonoridade existente, com este trabalho, o maior sucesso comercial dos Soungarden, estes atingiram, na minha opinião, o seu pico.
Assinaram um álbum rock notável, intemporal e clássico.
Só para aqueles que não conhecem sugiro três temas de diferentes estilos que podem agradar a pessoas com gostos diferentes: Spoonman, The Day I Tried to Live e 4th of July.
Hoje em dia já não há álbuns como este, portanto, se gostam de rock um bocadito mais para o pesado e se cometeram o sacrilégio de ainda não o ter... COMPREM JÁ!

Score: 9.7/10

Lista de sons:
1. Let Me Drown
2. My Wave
3. Fell on Black Days
4. Mailman
5. Superunknown
6. Head Down
7. Black Hole Sun
8. Spoonman
9. Limo Wreck
10. Day I Tried to Live
11. Kickstand
12. Fresh Tendrils
13. 4th of July
14. Half
15. Like Suicide
16. She Likes Surprises

terça-feira, novembro 23, 2004

Jukebox

Este espaço está reservado para indicar aquilo que ultimamente tem passado no meu leitor de CDs...
Última actualização: 2004/12/23


Manic Street Preachers - Lifeblood (2004)

Manic Street Preachers - Forever Delayed (2002)

... E aquilo que já passou!
- Nirvana - With the Lights Out (2004)
- Fountains of Wayne - Utopia Parkway (1999)
- Dover - Sister (1995)
- Cake - Pressure Chief (2004)
- Reef - Glow (1997)
- Pluto - Bom Dia (2004)
- John Frusciante - The Will to Death (2004)
- Sigur Rós - Von (1997)

segunda-feira, novembro 22, 2004

Muse: O trio épico

Showbiz (1999)
Origin of Symmetry (2001)
Absolution (2003)

Há uns anos atrás, em 1999, passou na MTV uma música que me chamou a atenção.
Já não me recordo qual era a música, mas lembro-me perfeitamente de um gajo "fininho" agarrado a uma guitarra a gritar desalmadamente.
Ora, isso por si só pode não ser sinal de nada, mas aquilo ficou-me a moer na cabeça, assim como o nome da banda: Muse.
Naquela altura ainda não imaginava que se iriam tornar uma das minhas bandas de eleição.
Passado algum tempo, finalmente consigo chegar ao álbum "Showbiz", através de um amigo (naquela altura não se conhecia Muse, ou seja, quase impossível de encontrar nas lojas) e ouvi-o atentamente.
Não posso dizer que tenha sido amor à primeira vista, mas já dava para reparar que havia ali uma "estrelinha" e, ao mesmo tempo, uma bomba em contagem decrescente...
A voz era capaz de cativar sentimentos antagónicos. Se por um lado, por vezes fazia lembrar Thom Yorke (Radiohead), por outro, os gritos de uma pessoa que parecia estar possuída. Conclusão, por muito que se tentasse arranjar defeitos, o gajo, passe a expressão, cantava mesmo muito bem. Apesar da comparação com Thom Yorke, Matthew Bellamy tinha uma voz muito mais potente (e afinada!).
Bem, analisando este álbum um pouco mais a fundo, pode-se encontrar verdadeiras pérolas: Muscle Museum, um baixo e um refrão fenomenais; Sunburn; Cave; Uno, entre outros.
Enquanto que estes temas eram acima da média, os restantes, apesar de não serem maus, não saiam muito da mediania, prejudicando o saldo final do álbum.
Notava-se já ali qualquer coisa naquele trio.....

Dois anos passaram e surgiu Origin of Symmetry.
Bom, acho que posso dizer que este álbum está no meu TOP 10. Em 2001, Vilar de Mouros, enfiado na tenda durante a tarde por causa do temporal, dão-me a conhecer o novo LP dos Muse. Apesar de não ser o sítio ideal para se concluir alguma coisa sobre algo, fiquei com a impressão que estava perante um conjunto de temas monumentais.
Consegui que mo emprestassem e trouxe-o para casa. O resto já devem imaginar.
Como os ingleses dizem: "It blew off my mind". Nunca tinha ouvido nada semelhante.
Posso dizer que há um tema que ainda não consigo gostar muito: Darkshines.
Mas o resto do álbum é perfeito. É escusado estar aqui a referir um ou outro tema, eles são todos "very high above average", sem nunca cairem em repetição.
Desde temas de puro rock, quase punk (Plug in Baby), temas pop com classe (Bliss), temas épicos (New Born, Citizen Erased) e mesmo ópera! Sim, que é que eu podia chamar a "Screenager", senão um tema de ópera rock?!
Esta jovem tripla fez um trabalho que, apesar de reconhecido, penso que só daqui a uns anos se irá dar o seu real valor.
Matt Bellamy é um guitarrista, pianista, cantor exímio. Um artista como há poucos, sobredotado, sem qualquer dúvida. Solos de guitarra e de piano ao alcance de poucos e com uma voz de fazer corar alguns tenores.
Se há gente que agora compara Muse a Queen, eu só posso dizer que Matt é igual a Freddy Mercury e Brian May juntos.
Não posso deixar passar em claro os trabalhos de Chris Wolstenholme e Dominic Howard no baixo e bateria, respectivamente.
Como devem ter entendido, não há palavras que consigam descrever a grandiosidade, a majestosidade, a intensidade e a perfeição existente neste álbum.
Goste-se ou não se goste, admita-se que talento não lhes falta.

Finalmente, tendo já conquistado a minha fidelidade, mal saiu o álbum Absolution, tratei de o ir comprar. Já o tinha ouvido por alto (maravilhas da Internet), mas eles mereciam que gastasse os meus €, ainda por cima com um DVD extra.
O que posso dizer é que me desiludiu bastante.
Não porque Absolution fosse mau, penso que tenha sido por a fasquia ter sido colocada demasiado elevada com Origin of Symmetry (OS).
Continuam a existir temas épicos, temas hard-rock, mas os temas não parecem atingir o mesmo nível de OS. Enquanto que no anterior, os temas pareciam ligados entre si, apesar de muito distintos, fazendo uma obra fenomenal, neste álbum existem alguns temas que parecem perdidos no meio do alinhamento, como se estivessem lá para preencher algum espaço. Falling Away With You, por exemplo, faz em alguns momentos lembrar Bliss, mas o resultado final é muito menos conseguido. The Small Print, é um tema apenas regular, entre outros exemplos.
Felizmente temos algumas grandes canções a iniciar o álbum, que apenas esporadicamente se consegue voltar a erguer, como em Hysteria.
Conclusão: para mim, Absolution, apesar de continuar a ser um grande álbum, desiludiu-me profundamente, ou seja, venha o próximo!
Indispensável para um melhor conhecimento da banda, é a presença num concerto, o visionamento dos videoclips, ou então, a compra do DVD oficial disponível: Hulaballo (2002), no qual presenciamos um concerto fantástico em Paris. Fabuloso mesmo. Senão como alternativa podem consultar diversos sites dedicados à banda, como por exemplo este, o qual detém bastante informação, assim como videoclips.

Showbiz - Score: 8.1/10
Lista de sons:
1.Sunburn
2.Muscle Museum
3.Fillip
4.Falling Down
5.Cave
6.Showbiz
7.Unintended
8.Uno
9.Sober
10.Escape
11.Overdue
12.Hate This & I'll Love You

Origin of Symmetry - Score: 9.7/10
Lista de sons:
1.New Born
2.Bliss
3.Space Dementia
4.Hyper Music
5.Plug In Baby
6.Citizen Erased
7.Micro Cuts
8.Screenager
9.Dark Shines
10.Feeling Good
11.Megalomania

Absolution - Score: 6.5/10
Lista de sons:
1.Intro
2.Apocalypse Please
3.Time Is Running Out
4.Sing For Absolution
5.Stockholm Syndrome
6.Falling Away With You
7.Interlude
8.Hysteria
9.Blackout
10.Butterflies and Hurricanes
11.The Small Print
12.Endlessly
13.Thoughts Of A Dying Atheist
14.Ruled By Secrecy

Pluto: Bom Dia (2004)



Para não cairem no erro de pensar que sou um saudosista grunge, optei por comentar o primeiro e novíssimo álbum dos Pluto, Bom Dia.
Inevitavelmente, falando-se de Pluto, tem de se mencionar os Ornatos Violeta, pois o mentor de ambos os projectos é Manuel Cruz.
Eu, não sendo um fã acérrimo dos Ornato, era um grande apreciador deste grupo, principalmente do sensacional primeiro álbum: Cão.
Penso que o segundo álbum (O Monstro Precisa de Amigos), ao fugir ao lado mais funk dos Ornato, perdeu um pedaço da força que existia nas suas músicas, mas que continuava a ser um excelente álbum de música portuguesa, cantado em português (não sou grande apreciador).
Manuel Cruz, na forma como constrói suas letras e como canta faz lembrar Jorge Palma. Não que isso constitua um defeito, mas como o estilo musical encarnado pelos seus grupos é distinto, torna-o um cantautor bastante original.
Os Pluto, acabam quase por completo com o que existia de funk de "Cão", acrescentam mais algumas guitarras e psicadelismo a "O Monstro Precisa de Amigos", et voilá: Bom Dia!
As letras características de Manuel Cruz mantém-se, assim como a métrica utilizada anteriormente, a principal diferença é mesmo o estilo mais rock imposto.
Confesso que sou completamente "pró-guitarrada", mas sinceramente neste caso, penso que o que existia de originalidade nos Ornatos, perdeu-se um pouco nos Pluto.
Por muitas vezes, os álbuns custam a "entrar no ouvido", mas para já, apesar de reconhecer qualidades no mesmo, ainda não me convenceu completamente. Provavelmente, se não tivesse existido o "Cão", estaria a esta altura a dizer maravilhas de "Bom Dia", mas para já ainda não sou capaz de dizer isso.
Talvez com mais algumas audições lá chegue, mantenho em aberto novas considerações...

Score: 7/10

Lista de sons:
1.Entre Nós
2.Sexo Mono
3.Segue-me à Luz
4.O 2 Vem Sempre Depois
5.A Vida dos Outros
6.Convite
7.Prisão
8.Lição de Adição
9.Líderes & Filhos Lda
10.Só Mais Um Começo
11.Bem Vindo a Ti
12.Algo Teu

Pearl Jam: Vs. (1993)



A primeira questão que podem colocar é:
Porque raio é que em 2004 alguém inicia um blog sobre música, abordando um álbum de 1993?
A resposta é simples e quem conhecer o álbum em questão, irá compreender ainda melhor.
Em 1993, estava eu nos primórdios da minha adolescência, sem saber bem o que era a música, quando me entram pelo ouvido umas músicas que passavam na rádio chamadas "Jeremy" e "Daughter".
Ora, puto como era, tentei descobrir quem era o seu autor, e aí ouvi pela primeira vez o nome Pearl Jam.
Ganhei coragem e comprei o meu primeiro CD a sério, Vs.
O primeiro impacto foi brutal, continuei a gostar de ouvir a Daughter, assim como A Ederly Woman, mas ficava-me um pouco por aí... A minha desilusão foi imensa, pois a outra música que tinha ouvido (Jeremy), não constava neste álbum.
Então, perguntei-me a mim mesmo: se aquela música é tão boa porque é que não está aqui? Santa inocência...
As músicas de Vs., pelos meus parâmetros anteriores, eram muito "barulhentas", mas entravam muito facilmente no ouvido, com melodias fantásticas e uma voz majestosa.
Como o CD ainda me tinha custado umas massas, tentei voltá-lo a ouvir e o choque foi novamente brutal, mas no sentido completamente oposto.
Foi aí que despertei para a música, alargaram-se novos horizontes e, posso também afirmar, mudou a minha vida: cresci.
Hoje em dia talvez este não seja o álbum favorito dos Pearl Jam, mas foi concerteza o que mais significou para mim.
Vs. é o segundo álbum de originais na carreira dos Pearl Jam, o sucessor do também magnífico, Ten (qualquer dia falarei dele).
O rol de temas é monstruoso, desde que se pressiona a tecla "play" do leitor, começa a destilar, tema após tema, um mar de clássicos.
Todo o alinhamento é de destacar, mas realce-se alguns "maiores":
Animal, Dissident, Blood, Rearviewmirror, Indifference.
Ouvindo-se em 2004 um álbum como este, não deixa de soar actualíssimo, muitos artistas actuais não se poderão gabar de poderem ter um som tão forte e contagiante ao mesmo tempo.
A melhor palavra para o descrever:
Arrepiante!

Score: 9.3/10

Lista de sons:
1.Go
2.Animal
3.Daughter
4.Glorified G
5.Dissident
6.W.M.A
7.Blood
8.Rearviewmirror
9.Rats
10.Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
11.Leash
12.Indifference